SILÊNCIO
Quando calares não fiques
Aí, parada,
Cismando.
Não esperes que eu fale.
Durante essa viagem
Que me auspicias
Estarei te contemplando
Como uma paisagem:
Apenas sorria...
Me permitas
Esse silencio que consola,
É nele que espero
E medito,
É com ele que eu oro.
12/12/2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
domingo, 31 de outubro de 2010
SOBREVIVENDO
Há noites como essas,
Escuras,
Soltas nas travessas
Ásperas
De esquinas espessas
Em que a alma
Pensa que pode,
Mas perde a paz
Deixa de ser capaz
Parte-se em pedaços
E resiste,
Mas quase se desfaz.
Há noites como essas
Em que gentes,
Feita de matéria como a gente,
Perde os laços,
Esquece as promessas
E até se vende
Pelo preço de um abraço
Para poder seguir em frente.
31/10/2010
Há noites como essas,
Escuras,
Soltas nas travessas
Ásperas
De esquinas espessas
Em que a alma
Pensa que pode,
Mas perde a paz
Deixa de ser capaz
Parte-se em pedaços
E resiste,
Mas quase se desfaz.
Há noites como essas
Em que gentes,
Feita de matéria como a gente,
Perde os laços,
Esquece as promessas
E até se vende
Pelo preço de um abraço
Para poder seguir em frente.
31/10/2010
domingo, 17 de outubro de 2010
Não me importa
Fugirei, fugirás!
Sei que tuas mãos não me tocarão,
Que não me olharás,
Ocultarás teu coração,
Eu sei que me negarás.
Mas não me importa...
As palavras
Falam do que se quiser
Que nos ouçam,
Mas te cuides do olhar,
Ele não mente
E trai o que a alma sente.
Não me importa
Por que, mesmo
Que te finjas indiferente,
Sei que teu coração
Tremerá ao fugir
Do que teu corpo sente.
Fugirei, fugirás!
Sei que tuas mãos não me tocarão,
Que não me olharás,
Ocultarás teu coração,
Eu sei que me negarás.
Mas não me importa...
As palavras
Falam do que se quiser
Que nos ouçam,
Mas te cuides do olhar,
Ele não mente
E trai o que a alma sente.
Não me importa
Por que, mesmo
Que te finjas indiferente,
Sei que teu coração
Tremerá ao fugir
Do que teu corpo sente.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
SONHOS
Eis que nem bem me espero
À sombra de agosto
E Setembro se esvai,
Avesso a rédeas, solto,
Descontando horas
Em gotas desesperadas
Com seus ventos
Sobre flores violadas
Pela torrente da vida.
E eu, com certeza,
Espírito febril, deliro.
Por não poder sonhar
Faço meus
Os teus sonhos, querida:
Coloridos anelos de feira,
Devaneios de criança
Com córregos,
Canteiros de margaridas,
Pedras macias e cachoeiras.
20/09/2010
Eis que nem bem me espero
À sombra de agosto
E Setembro se esvai,
Avesso a rédeas, solto,
Descontando horas
Em gotas desesperadas
Com seus ventos
Sobre flores violadas
Pela torrente da vida.
E eu, com certeza,
Espírito febril, deliro.
Por não poder sonhar
Faço meus
Os teus sonhos, querida:
Coloridos anelos de feira,
Devaneios de criança
Com córregos,
Canteiros de margaridas,
Pedras macias e cachoeiras.
20/09/2010
terça-feira, 14 de setembro de 2010
VOCÊ
Você,
A improvável,
Razão secreta
De nome impronunciável...
Chegou andando de mansinho
Como pequeno sol
Que ao nascer,
Mesmo que não quisesses,
Entre sorrisos e carinho,
Sempre soubesses
Ser o meu caminho.
Você,
Que surgiu do nada
E do nada me levou,
Quem sempre ao ver
Me faz a voz perder o som...
Mesmo sem o luxo de tuas asas,
Mesmo não tendo a graça do teu dom,
A onde quiseres,
Lá estarei,
Eu sei que também vou.
13/09/2010
Você,
A improvável,
Razão secreta
De nome impronunciável...
Chegou andando de mansinho
Como pequeno sol
Que ao nascer,
Mesmo que não quisesses,
Entre sorrisos e carinho,
Sempre soubesses
Ser o meu caminho.
Você,
Que surgiu do nada
E do nada me levou,
Quem sempre ao ver
Me faz a voz perder o som...
Mesmo sem o luxo de tuas asas,
Mesmo não tendo a graça do teu dom,
A onde quiseres,
Lá estarei,
Eu sei que também vou.
13/09/2010
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
PÁSSAROS
Quando setembro voltar
Sob seu clima manso e tépido
A vida toda se reporá a andar,
E, nós com ela, lépidos,
Lá estaremos, de certo,
De novo a cantar.
Tolos, tolos sem calma
Os que não encontraram em nós
A sua própria alma...
Como impedir a primavera?
Como enclausurar pássaros
E borboletas,
Impedi-los voar
E serem?
Evitar dias e noites de seguirem
E, às flores,
Renascerem?
Como prender o tempo,
Impedir o humano divino,
Como segurar o vento
E seu destino,
Parar o pensamento,
Como aprisionar a nós?
Como prender a ti,
Como prender a mim
Que nasci para
Para voar e morrer,
Livre e com gosto,
Sobre planícies sem fim?
27/08/2010
Quando setembro voltar
Sob seu clima manso e tépido
A vida toda se reporá a andar,
E, nós com ela, lépidos,
Lá estaremos, de certo,
De novo a cantar.
Tolos, tolos sem calma
Os que não encontraram em nós
A sua própria alma...
Como impedir a primavera?
Como enclausurar pássaros
E borboletas,
Impedi-los voar
E serem?
Evitar dias e noites de seguirem
E, às flores,
Renascerem?
Como prender o tempo,
Impedir o humano divino,
Como segurar o vento
E seu destino,
Parar o pensamento,
Como aprisionar a nós?
Como prender a ti,
Como prender a mim
Que nasci para
Para voar e morrer,
Livre e com gosto,
Sobre planícies sem fim?
27/08/2010
terça-feira, 24 de agosto de 2010
SONHOS
Sonhei
Que sobre a quieta rua,
Entre o mar
E as pedras da Prainha,
Vi o fantasma
De tua
Alma nua,
E, que, enquanto perambulavas,
Se bem que rias,
Disseram-me que choravas
Teu destino insosso
Enquanto caminhando ias.
Mas, eu, fiel, jurei-lhes
Que cantavas,
Minha pequena sereia,
Eterna em forma de bruma
Sobre teu berço
Rendado de espuma
Vento e areia.
23/08/10
Sonhei
Que sobre a quieta rua,
Entre o mar
E as pedras da Prainha,
Vi o fantasma
De tua
Alma nua,
E, que, enquanto perambulavas,
Se bem que rias,
Disseram-me que choravas
Teu destino insosso
Enquanto caminhando ias.
Mas, eu, fiel, jurei-lhes
Que cantavas,
Minha pequena sereia,
Eterna em forma de bruma
Sobre teu berço
Rendado de espuma
Vento e areia.
23/08/10
quinta-feira, 19 de agosto de 2010
PREDESTINAÇÃO
Sou um ser saudoso.
Saudoso de todos os mares
E rios que não contemplei,
Das paisagens que meu coração guardou,
Dos corpos que não amei,
Das vides e vinhos que não bebi.
Saudoso dos olhos
Que não me viram
E não conheci,
De todos que os que perdi
E jamais reencontrarei.
Sou capaz até
De andar
Justo à saudade que guardo
E, em mim aceitei,
Dos que vieram para me amar,
Amei
E partiram sem ter me amado.
14/08/10
Sou um ser saudoso.
Saudoso de todos os mares
E rios que não contemplei,
Das paisagens que meu coração guardou,
Dos corpos que não amei,
Das vides e vinhos que não bebi.
Saudoso dos olhos
Que não me viram
E não conheci,
De todos que os que perdi
E jamais reencontrarei.
Sou capaz até
De andar
Justo à saudade que guardo
E, em mim aceitei,
Dos que vieram para me amar,
Amei
E partiram sem ter me amado.
14/08/10
sábado, 14 de agosto de 2010
PERFUME
Quem ama
Não se esconde dos abraços,
Não dissimula
Nem caminha e retorna
Sobre os próprios passos.
Quem ama
Não se avisa
Nem se proclama,
Não pergunta,
Às vezes lamenta,
Assunta,
Mas não exige.
Não implora,
Não se importa,
Argumenta...
Quem ama,
Dá sem medidas,
Às vezes se revolta,
E se indigna,
E foge,
Mas perdoa
E sempre volta.
É atento,
Improvisa
Com pequenos
Atos o intento
Da sublime
Cortesia de seu carinho.
Constrói no ar
Castelos serenos
De brilhante alume
Enquanto semeia o ninho
Com seu próprio perfume.
10/10/2010
Quem ama
Não se esconde dos abraços,
Não dissimula
Nem caminha e retorna
Sobre os próprios passos.
Quem ama
Não se avisa
Nem se proclama,
Não pergunta,
Às vezes lamenta,
Assunta,
Mas não exige.
Não implora,
Não se importa,
Argumenta...
Quem ama,
Dá sem medidas,
Às vezes se revolta,
E se indigna,
E foge,
Mas perdoa
E sempre volta.
É atento,
Improvisa
Com pequenos
Atos o intento
Da sublime
Cortesia de seu carinho.
Constrói no ar
Castelos serenos
De brilhante alume
Enquanto semeia o ninho
Com seu próprio perfume.
10/10/2010
A POESIA
Se passares
Por ruas que reconheces
Em tua memória,
E sem a beleza como auxílio
Elas te contarem
As mesmas historias
Já saberás que és o exílio.
Contudo,
Não te amofines,
Te entregues a desesperança
Nem desanimes.
A poesia
É como o amor
E o amor é como a vida
E a vida não cansa.
Quando a vertente
Da poesia parecer seca,
Tudo o que dela se alimenta
Mesmo deixando de ser flor,
Ainda que pareça morta
Deixará de ser o que era
Para se tornar uma semente.
01/08/2010
Se passares
Por ruas que reconheces
Em tua memória,
E sem a beleza como auxílio
Elas te contarem
As mesmas historias
Já saberás que és o exílio.
Contudo,
Não te amofines,
Te entregues a desesperança
Nem desanimes.
A poesia
É como o amor
E o amor é como a vida
E a vida não cansa.
Quando a vertente
Da poesia parecer seca,
Tudo o que dela se alimenta
Mesmo deixando de ser flor,
Ainda que pareça morta
Deixará de ser o que era
Para se tornar uma semente.
01/08/2010
A Uma Andorinha
Dissestes:
"- Ah!!!Perdoa,vai!?"
Perdoar o que, querida?
O que poderia haver a se perdoar
No som de tua voz nesse sorriso?
Mas,
Mesmo assim,
Eu te perdôo por
Não teres, ainda, sido minha
E não te poder amar nem ter.
Perdôo-te pelas asas que não tenho
E por voares tão alto
E tão distante
Que não te posso
Nem ver.
Perdôo-te
Pelo descaminho
Do muro que nos separa
E não se pode alçar,
E não ser possível te por
Entre meu carinho
E meu amor.
25/07/2010
Dissestes:
"- Ah!!!Perdoa,vai!?"
Perdoar o que, querida?
O que poderia haver a se perdoar
No som de tua voz nesse sorriso?
Mas,
Mesmo assim,
Eu te perdôo por
Não teres, ainda, sido minha
E não te poder amar nem ter.
Perdôo-te pelas asas que não tenho
E por voares tão alto
E tão distante
Que não te posso
Nem ver.
Perdôo-te
Pelo descaminho
Do muro que nos separa
E não se pode alçar,
E não ser possível te por
Entre meu carinho
E meu amor.
25/07/2010
Benção
Abençôo-te
Por permitires
Me reencontrar
Ao te perder,
Sem precisar de palavras,
Revelar quaisquer segredos
Ou,
Até mesmo,
Sequer mover um dedo.
Abençôo-te
Por não teres tido
O necessário tempo
De ter corrompido
Meu amor próprio,
(Embora tenhas tentado)
De eu ver meu carinho
Transformado
Em balcão de negócios.
Abençôo-te também,
Como negar,
Pelos bons momentos,
O som de tua voz
E teu sorriso cristalino;
Por teres tido a candura
De despertares,
Por bem ou mal,
Todo o potencial
De minha ternura.
Mas,
Sobretudo,
Abençôo-te o favor,
Em especial,
E afinal,
Seja por desamor,
Necessidade
Ou tresloucada usura,
Naturalmente sem querer,
Me libertares de tua procura.
20/07/2010
Abençôo-te
Por permitires
Me reencontrar
Ao te perder,
Sem precisar de palavras,
Revelar quaisquer segredos
Ou,
Até mesmo,
Sequer mover um dedo.
Abençôo-te
Por não teres tido
O necessário tempo
De ter corrompido
Meu amor próprio,
(Embora tenhas tentado)
De eu ver meu carinho
Transformado
Em balcão de negócios.
Abençôo-te também,
Como negar,
Pelos bons momentos,
O som de tua voz
E teu sorriso cristalino;
Por teres tido a candura
De despertares,
Por bem ou mal,
Todo o potencial
De minha ternura.
Mas,
Sobretudo,
Abençôo-te o favor,
Em especial,
E afinal,
Seja por desamor,
Necessidade
Ou tresloucada usura,
Naturalmente sem querer,
Me libertares de tua procura.
20/07/2010
CONTUDO
Eu amo
Até os maus momentos,
Cada segundo
De lutas e maus argumentos
Do nosso pequenino mundo.
Eu amo,
Também,
CONTUDO
A lembrança dos dias e noites
Em que parceiros do vento
Sentia teu corpo sobre meu peito
E cavalgávamos as horas
Sem nos apercebermos das horas
E de que não tínhamos tempo.
Amei-te sem licença,
Amei-te pelo teu silêncio
amei-te pela tua presença.
Posso dizer até
Que te amei pelo destino,
Desarrumado e bisonho,
De me permitir te perder
Para que pudesses te encontrar
Com os teus próprios sonhos.
22/07/2010
Eu amo
Até os maus momentos,
Cada segundo
De lutas e maus argumentos
Do nosso pequenino mundo.
Eu amo,
Também,
CONTUDO
A lembrança dos dias e noites
Em que parceiros do vento
Sentia teu corpo sobre meu peito
E cavalgávamos as horas
Sem nos apercebermos das horas
E de que não tínhamos tempo.
Amei-te sem licença,
Amei-te pelo teu silêncio
amei-te pela tua presença.
Posso dizer até
Que te amei pelo destino,
Desarrumado e bisonho,
De me permitir te perder
Para que pudesses te encontrar
Com os teus próprios sonhos.
22/07/2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
EU PRECISAVA SONHAR
Perceber eu percebi
E entender eu entendi,
Mas preferi me esconder,
Fingir.
Não quis ver
O que querias
Nem quem tu eras.
Foram tantos
Caminhos e descaminhos
Picadas e pirambeiras
Que vim até por onde
Não me amaria vir:
Nunca resisti a um desafio.
Perdi a calma,
Vendi a alma...
Tinha que vir para me ver
Negar-me ao que eu mesmo vi
Por não querer ver.
Que me perdoem
Os que julgarem justo julgar
Minha alma a se perder.
Sentia muito sono,
Não quis acordar;
Ademais,
Eu precisava tanto
Voltar a sonhar...
13/07/2010
Perceber eu percebi
E entender eu entendi,
Mas preferi me esconder,
Fingir.
Não quis ver
O que querias
Nem quem tu eras.
Foram tantos
Caminhos e descaminhos
Picadas e pirambeiras
Que vim até por onde
Não me amaria vir:
Nunca resisti a um desafio.
Perdi a calma,
Vendi a alma...
Tinha que vir para me ver
Negar-me ao que eu mesmo vi
Por não querer ver.
Que me perdoem
Os que julgarem justo julgar
Minha alma a se perder.
Sentia muito sono,
Não quis acordar;
Ademais,
Eu precisava tanto
Voltar a sonhar...
13/07/2010
sexta-feira, 9 de julho de 2010
PERFUME
Quem não ama
Não improvisa,
Esconde-se dos abraços,
Dissimula,
Caminha e retorna
Sobre os próprios passos.
Quem não ama
Não se avisa,
Nem se proclama,
Não pergunta
Nem exige.
Assunta,
Mas não implora,
Não se importa
Apenas argumenta.
Aquele que ama,
Sabe e avisa,
Dá sem medidas,
Se doa,
Às vezes se revolta,
E se indigna,
E foge,
Mas perdoa
E sempre volta.
É atento;
Improvisa
Com pequenos
Atos o intento
Da sublime
Cortesia de um carinho.
Constrói no ar
Castelos serenos
De brilhante alume
Enquanto semeia o ninho
Com seu próprio perfume.
06/07/2010
Quem não ama
Não improvisa,
Esconde-se dos abraços,
Dissimula,
Caminha e retorna
Sobre os próprios passos.
Quem não ama
Não se avisa,
Nem se proclama,
Não pergunta
Nem exige.
Assunta,
Mas não implora,
Não se importa
Apenas argumenta.
Aquele que ama,
Sabe e avisa,
Dá sem medidas,
Se doa,
Às vezes se revolta,
E se indigna,
E foge,
Mas perdoa
E sempre volta.
É atento;
Improvisa
Com pequenos
Atos o intento
Da sublime
Cortesia de um carinho.
Constrói no ar
Castelos serenos
De brilhante alume
Enquanto semeia o ninho
Com seu próprio perfume.
06/07/2010
sábado, 3 de julho de 2010
SOBRE PEGADAS
(Bem aventuranças)
Bendito
O que se permite
Sem cuidados,
Permitir-se às pegadas de si mesmo.
Abençoado o que existe
Corajoso e descuidado
Através do tempo
A senda de viver a esmo
Até mesmo
De de seu desatinado intento.
Bem aventurado
O que não teme
Nem o onde nem o aonde,
Bem aventurado
O que marcha ao leme
De seu coração e não se esconde.
02/07/10
(Bem aventuranças)
Bendito
O que se permite
Sem cuidados,
Permitir-se às pegadas de si mesmo.
Abençoado o que existe
Corajoso e descuidado
Através do tempo
A senda de viver a esmo
Até mesmo
De de seu desatinado intento.
Bem aventurado
O que não teme
Nem o onde nem o aonde,
Bem aventurado
O que marcha ao leme
De seu coração e não se esconde.
02/07/10
AINDA ASSIM ME QUERERIAS?
Mas...
E se você descobrisse
Que para cada estrela que nasce
Há um sonho
Que se transforma em ponte
Entre você e teu horizonte,
Ainda assim me quererias?
E
Se eu tivesse descoberto
Que flores pintaram
As borboletas
Que voejam pelos meus desertos,
Sem estradas retas,
Ainda assim me quererias?
Mas...
E se eu te contasse
Que nossa vida vai durar um dia,
Como as Efemérides,
Voarias para o meu amor,
E,
Ainda assim, me quererias?
22/06/2010
Mas...
E se você descobrisse
Que para cada estrela que nasce
Há um sonho
Que se transforma em ponte
Entre você e teu horizonte,
Ainda assim me quererias?
E
Se eu tivesse descoberto
Que flores pintaram
As borboletas
Que voejam pelos meus desertos,
Sem estradas retas,
Ainda assim me quererias?
Mas...
E se eu te contasse
Que nossa vida vai durar um dia,
Como as Efemérides,
Voarias para o meu amor,
E,
Ainda assim, me quererias?
22/06/2010
segunda-feira, 7 de junho de 2010
terça-feira, 1 de junho de 2010
Pensar
Que o desejo tem amarras
Que viciam como o aroma
Dos melhores vinhos.
Pensar
E perceber
Que corações tem garras,
E podem ferir
Como as rosas
Que também
Tem espinhos.
Pensar,
Perceber e admitir
E ainda assim ter que esquecer
Que chegar
Está sempre tão ao par
Da proximidade de se ir...
Pensar,
Perceber, admitir e sentir
Que o melhor de alguém
Não pode ser teu
Por que ninguém,
Absolutamente ninguém
Pode ser dono de alguém,
E, que, há coisas,
Que é melhor não ter
Do que ter
Que pedir para ter...
01/06/2010
Que o desejo tem amarras
Que viciam como o aroma
Dos melhores vinhos.
Pensar
E perceber
Que corações tem garras,
E podem ferir
Como as rosas
Que também
Tem espinhos.
Pensar,
Perceber e admitir
E ainda assim ter que esquecer
Que chegar
Está sempre tão ao par
Da proximidade de se ir...
Pensar,
Perceber, admitir e sentir
Que o melhor de alguém
Não pode ser teu
Por que ninguém,
Absolutamente ninguém
Pode ser dono de alguém,
E, que, há coisas,
Que é melhor não ter
Do que ter
Que pedir para ter...
01/06/2010
segunda-feira, 24 de maio de 2010
DO TAMANHO DO CÉU
Do tamanho do céu
É quase divino,
Faz-m sentir criança,
Quando ainda tinha
O dom supremo
À qualquer esperança,
O direito a qualquer sonho
E tudo era possível.
DO TAMANHO DO CÉU
Do tamanho do céu
É quase divino,
Faz-me sentir ser criança,
Quando ainda tinha
O dom supremo
De qualquer esperança,
O direito a qualquer sonho
E tudo era possível.
Por favor, não me desperte,
Faça de conta...
Façamos de conta
Que além de olhar as estrelas
Podemos brincar com elas...
Por favor, não me desperte,
Faça de conta...
Façamos de conta
Que além de olhar as estrelas
Podemos brincar com elas...
Do tamanho do céu
É quase divino,
Faz-m sentir criança,
Quando ainda tinha
O dom supremo
À qualquer esperança,
O direito a qualquer sonho
E tudo era possível.
DO TAMANHO DO CÉU
Do tamanho do céu
É quase divino,
Faz-me sentir ser criança,
Quando ainda tinha
O dom supremo
De qualquer esperança,
O direito a qualquer sonho
E tudo era possível.
Por favor, não me desperte,
Faça de conta...
Façamos de conta
Que além de olhar as estrelas
Podemos brincar com elas...
Por favor, não me desperte,
Faça de conta...
Façamos de conta
Que além de olhar as estrelas
Podemos brincar com elas...
domingo, 23 de maio de 2010
INÚTIL
Foi lembrando ela
Que me fui,
Andei,
Revoltei
E sem pensar em nada,
Com minha imaginação,
Trabalhando com afinco,
Noite e dia,
Passei e repassei
Cada passo
Sem deixar pegada
Nem permitir vinco.
Foi lembrando ela
Que me fui,
Andei,
E revoltei
Para inventar cada cor
E pintar a aquarela
Fútil
Desse néscio amor,
Tão colorido quanto inútil.
23/05/2010
Foi lembrando ela
Que me fui,
Andei,
Revoltei
E sem pensar em nada,
Com minha imaginação,
Trabalhando com afinco,
Noite e dia,
Passei e repassei
Cada passo
Sem deixar pegada
Nem permitir vinco.
Foi lembrando ela
Que me fui,
Andei,
E revoltei
Para inventar cada cor
E pintar a aquarela
Fútil
Desse néscio amor,
Tão colorido quanto inútil.
23/05/2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
CULPA
Eu me acuso!
Tenho desperdiçado
Com sonhos
A vida;
Tenho sonhado com empenho
De sonâmbula determinação
Cada segundo sem destaque
Como se fosse realidade.
Ora, bolas,
Não direi, como Bilac,
Ouvir estrelas.
Na verdade,
Ao te amar,
Lhes fiquei tão próximo,
Que quase me tornei elas.
Moldei sol com chuva
Ao vento,
Desfiz véus,
Venci o muro,
Subi aos céus
E me construí ponte
Para me tornar
Eu mesmo a saudade.
20/05/2010
Eu me acuso!
Tenho desperdiçado
Com sonhos
A vida;
Tenho sonhado com empenho
De sonâmbula determinação
Cada segundo sem destaque
Como se fosse realidade.
Ora, bolas,
Não direi, como Bilac,
Ouvir estrelas.
Na verdade,
Ao te amar,
Lhes fiquei tão próximo,
Que quase me tornei elas.
Moldei sol com chuva
Ao vento,
Desfiz véus,
Venci o muro,
Subi aos céus
E me construí ponte
Para me tornar
Eu mesmo a saudade.
20/05/2010
domingo, 9 de maio de 2010
SONHOS
(Coisas da vida)
Um dia,
Sem mais nem menos,
Ao azar ou sorte
De seu desespero,
As gentes acordam sonhando:
Antes de fazer a cama,
Dão um pinote
E empreendem
Algum'outra absurda viajem.
É assim que, na vida,
Nem apenas
Um só dia é pequeno demais
Para o tamanho
De qualquer bobagem.
Como em sonhos,
Entre o sono e o acordar,
Por esses confins,
Vamos nossa louca vida a viver:
Pisam-se jardins,
Magoamos,
Nos magoamos...
Machuca-se é certo
Quem está mais perto,
(Em geral
Àqueles quem mais amamos),
Para, por fim,
Em hora incerta,
Despertarmos,
Justos e celerados,
Mais sábios,
Decerto,
Mas,
Também,
Mais magoados.
09/05/2010
(Coisas da vida)
Um dia,
Sem mais nem menos,
Ao azar ou sorte
De seu desespero,
As gentes acordam sonhando:
Antes de fazer a cama,
Dão um pinote
E empreendem
Algum'outra absurda viajem.
É assim que, na vida,
Nem apenas
Um só dia é pequeno demais
Para o tamanho
De qualquer bobagem.
Como em sonhos,
Entre o sono e o acordar,
Por esses confins,
Vamos nossa louca vida a viver:
Pisam-se jardins,
Magoamos,
Nos magoamos...
Machuca-se é certo
Quem está mais perto,
(Em geral
Àqueles quem mais amamos),
Para, por fim,
Em hora incerta,
Despertarmos,
Justos e celerados,
Mais sábios,
Decerto,
Mas,
Também,
Mais magoados.
09/05/2010
segunda-feira, 3 de maio de 2010
POR UM FIO
Quase cedi,
Confesso,
Eu sei...
Mas como não ceder
Á graça no andar,
Ao gesto fácil,
O cheiro,
Ao gosto,
O sorrir,
E,
Veja só,
À minha própria
Vontade de me perder?
Como não ousar,
Ir andarilho a cada dia
Alimentando-se da esperança
De aguardar,
Toda noite,
A madrugada
Com sua manhã vadia?
Sou maluco,
Acho,
Louco...
Mas o que fazer
Se vejo um pouco
No coração vertente
De cada um que amo
Meu próprio ser,
Latente.
Enfim,
Para adiante é que se anda...
Ser navegante nesse rio
É não valer à pena a vida
Se não for ela vivida
Por um fio.
03/05/2010
Quase cedi,
Confesso,
Eu sei...
Mas como não ceder
Á graça no andar,
Ao gesto fácil,
O cheiro,
Ao gosto,
O sorrir,
E,
Veja só,
À minha própria
Vontade de me perder?
Como não ousar,
Ir andarilho a cada dia
Alimentando-se da esperança
De aguardar,
Toda noite,
A madrugada
Com sua manhã vadia?
Sou maluco,
Acho,
Louco...
Mas o que fazer
Se vejo um pouco
No coração vertente
De cada um que amo
Meu próprio ser,
Latente.
Enfim,
Para adiante é que se anda...
Ser navegante nesse rio
É não valer à pena a vida
Se não for ela vivida
Por um fio.
03/05/2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
domingo, 25 de abril de 2010
EM VÃO
O abraço apertado
No coração adormecido,
Mas, vivo,
Você já sentiu?
Um sorriso que te conduza
A onde nunca há
Nenhum motivo
Nas emoções,
Você já viveu?
O olhar,
Um leve roçar de mãos
Que foge ao corpo
Mas arrepia os corações
Sem se saber dos por quês...
Então, você,
Pressentindo o perigo,
Reage,
Luta,
Foge,
E nega,
Mas,
É em vão!
Ao renegares
O que te justifica o ser
Sentir-lhe-ás à falta
Até quando não quiseres ver...
23/04/2010
O abraço apertado
No coração adormecido,
Mas, vivo,
Você já sentiu?
Um sorriso que te conduza
A onde nunca há
Nenhum motivo
Nas emoções,
Você já viveu?
O olhar,
Um leve roçar de mãos
Que foge ao corpo
Mas arrepia os corações
Sem se saber dos por quês...
Então, você,
Pressentindo o perigo,
Reage,
Luta,
Foge,
E nega,
Mas,
É em vão!
Ao renegares
O que te justifica o ser
Sentir-lhe-ás à falta
Até quando não quiseres ver...
23/04/2010
domingo, 18 de abril de 2010
“Eu quero a essência, minha alma tem pressa”
(Mário de Andrade)
A hora é agora,
Os moinhos que moem o tempo
Não sabem brincar de roda,
Jogar com o vento,
Ou esperar em algum momento
A hora
De fazer a poda.
Quem quiser vir comigo
Vai ter que dançar
A canção do perigo
De não ter
Como,
Ou onde
Nem, tampouco, o que esperar.
!8/04/2010
(Mário de Andrade)
A hora é agora,
Os moinhos que moem o tempo
Não sabem brincar de roda,
Jogar com o vento,
Ou esperar em algum momento
A hora
De fazer a poda.
Quem quiser vir comigo
Vai ter que dançar
A canção do perigo
De não ter
Como,
Ou onde
Nem, tampouco, o que esperar.
!8/04/2010
terça-feira, 13 de abril de 2010
FATALIDADE
Espere,
Não se vá ainda...
Não se precipite,
Espere por mim;
A vida é uma roda sem fim.
Hoje ou amanhã,
Tudo pode mudar...
Mas qual...
São inúteis meus apelos.
Destino é destino
E não é por se desejar
Que a morte
Dos sonhos seja fatal,
Nem que,
Por força de muito desejar,
Deixe o humano de ser mortal
Ou possa ele,
Ainda que a contragosto,
Infame ou poderoso,
Fraco ou forte,
Sobreviver ao mundo
E à sua própria sorte.
12/04/2010
Espere,
Não se vá ainda...
Não se precipite,
Espere por mim;
A vida é uma roda sem fim.
Hoje ou amanhã,
Tudo pode mudar...
Mas qual...
São inúteis meus apelos.
Destino é destino
E não é por se desejar
Que a morte
Dos sonhos seja fatal,
Nem que,
Por força de muito desejar,
Deixe o humano de ser mortal
Ou possa ele,
Ainda que a contragosto,
Infame ou poderoso,
Fraco ou forte,
Sobreviver ao mundo
E à sua própria sorte.
12/04/2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Essa Noite
Nessa noite incompleta
Solitária e vazia
Ainda sinto teus poucos beijos,
Discretos, roubados
Sem querer e ao acaso,
Sabe-se lá por que loucuras e manias...
Mas, em meu ser,
Que recordação!...
Cheguei a sonhar que me via
Em teu colo
Embalando meus sonhos,
E, que,
Apertando meu rosto em teu peito,
Esqueceria a insônia
Adormecendo em paz
Ao suave compasso
Do teu coração.
08/04/2010
Nessa noite incompleta
Solitária e vazia
Ainda sinto teus poucos beijos,
Discretos, roubados
Sem querer e ao acaso,
Sabe-se lá por que loucuras e manias...
Mas, em meu ser,
Que recordação!...
Cheguei a sonhar que me via
Em teu colo
Embalando meus sonhos,
E, que,
Apertando meu rosto em teu peito,
Esqueceria a insônia
Adormecendo em paz
Ao suave compasso
Do teu coração.
08/04/2010
quinta-feira, 1 de abril de 2010
quarta-feira, 24 de março de 2010
IDEAIS
("68, um bom tempo talvez...")
Não tenho existido,
Nunca,
Como gostaria de ser,
Nem como gostariam
Que eu tivesse sido,
Ou, sequer,
Por pouco,
Como poderia ter sido.
Sempre esperei tanto
De mim mesmo...
E esperaram, todos,
Tanto,
Que se tivessem sido possíveis
As nossas vontades
Não caberiam essas lidas
Em cada uma de nossas vidas.
E nossos ideais,
Você viu?...
O que sucedeu
Com nossos ideais?
Sei lá!!!
Só sei
Que fomos ficando por aí,
Bobos iguais,
Bagagens à mão,
Extáticos,
Em estações
Que os trens não passam mais...
("68, um bom tempo talvez...")
Não tenho existido,
Nunca,
Como gostaria de ser,
Nem como gostariam
Que eu tivesse sido,
Ou, sequer,
Por pouco,
Como poderia ter sido.
Sempre esperei tanto
De mim mesmo...
E esperaram, todos,
Tanto,
Que se tivessem sido possíveis
As nossas vontades
Não caberiam essas lidas
Em cada uma de nossas vidas.
E nossos ideais,
Você viu?...
O que sucedeu
Com nossos ideais?
Sei lá!!!
Só sei
Que fomos ficando por aí,
Bobos iguais,
Bagagens à mão,
Extáticos,
Em estações
Que os trens não passam mais...
IMPERDOÁVEL
Há algumas coisas
Que deveriam ser imperdoáveis
Diante às quais,
Nenhum’alma não se cala:
Olhos que se perdem
No horizonte enquanto você fala,
A mão estendida que se deu
E ninguém recebeu,
O olhar que fere
Vindo de quem você ama...
Mas, sem dúvida,
Nada tem mais poder de machucar
Do que o desdém de sua dama.
Há algumas coisas
Que deveriam ser imperdoáveis
Diante às quais,
Nenhum’alma não se cala:
Olhos que se perdem
No horizonte enquanto você fala,
A mão estendida que se deu
E ninguém recebeu,
O olhar que fere
Vindo de quem você ama...
Mas, sem dúvida,
Nada tem mais poder de machucar
Do que o desdém de sua dama.
PERDOÁVEL
Perdoa-me!
Não te indignes
Nem me subestimes.
Foi o enlevo de instantes
Que me trouxe a descoberto
Sem tempo para freios...
Não entendestes
O gesto irresoluto da emoção
Quando deitei atos ardentes
Sobre a laje fria de tua razão.
Perdoes-te!
A razão simples do fracasso,
Se houver,
É sempre me quereres
Mais em tuas mãos
Do que em teus braços.
Perdoa-me!
Não te indignes
Nem me subestimes.
Foi o enlevo de instantes
Que me trouxe a descoberto
Sem tempo para freios...
Não entendestes
O gesto irresoluto da emoção
Quando deitei atos ardentes
Sobre a laje fria de tua razão.
Perdoes-te!
A razão simples do fracasso,
Se houver,
É sempre me quereres
Mais em tuas mãos
Do que em teus braços.
ÀS VEZES
(Revisitando Descartes)
Eu sei da minha existência
Não por que penso,
Ou porque existo,
Mas por que assisto
Todos os dias
Seu testemunho
Nos olhos dos outros
Que de mim
Trazem notícias.
Ora,
Então,
Não me peças
Para ser razoável,
Não é justo comigo
Nem com teu coração.
A vida é etérea
E volátil,
Às vezes pétrea,
Frequentemente amável,
Às vezes,terrível.
A alma também é como ela:
Feita de meias verdades
Imponderável,
Pois que,
O sim de hoje,
Amanhã pode ser não.
Por isso,
Tudo é improvável
Mas, por outro lado,
Também,
Convenhamos,
Se tem que ser assim,
Nada é impossível...
(Revisitando Descartes)
Eu sei da minha existência
Não por que penso,
Ou porque existo,
Mas por que assisto
Todos os dias
Seu testemunho
Nos olhos dos outros
Que de mim
Trazem notícias.
Ora,
Então,
Não me peças
Para ser razoável,
Não é justo comigo
Nem com teu coração.
A vida é etérea
E volátil,
Às vezes pétrea,
Frequentemente amável,
Às vezes,terrível.
A alma também é como ela:
Feita de meias verdades
Imponderável,
Pois que,
O sim de hoje,
Amanhã pode ser não.
Por isso,
Tudo é improvável
Mas, por outro lado,
Também,
Convenhamos,
Se tem que ser assim,
Nada é impossível...
QUERERES
Não quero
O que você me mostra,
Não quero
O que queres que eu veja!
Não quero, também,
O que queres que eu escute!
Quero um outro lado:
Quero
O suor selvagem
Com cheiro de gosto amanhecido
No teu cabelo desmantelado.
Eu quero
A paisagem de que poucos bebem,
A flor que ninguém conhece;
Quero muito mais,
Quero além:
Quero o sentimento adormecido
De que nem tua maquiagem esquece...
Não quero
O que você me mostra,
Não quero
O que queres que eu veja!
Não quero, também,
O que queres que eu escute!
Quero um outro lado:
Quero
O suor selvagem
Com cheiro de gosto amanhecido
No teu cabelo desmantelado.
Eu quero
A paisagem de que poucos bebem,
A flor que ninguém conhece;
Quero muito mais,
Quero além:
Quero o sentimento adormecido
De que nem tua maquiagem esquece...
QUERERES
Não quero
O que você me mostra,
Não quero
O que queres que eu veja!
Não quero, também,
O que queres que eu escute!
Quero um outro lado:
Quero
O suor selvagem
Com cheiro de gosto amanhecido
No teu cabelo desmantelado.
Eu quero
A paisagem de que poucos bebem,
A flor que ninguém conhece;
Quero muito mais,
Quero além:
Quero o sentimento adormecido
De que nem tua maquiagem esquece...
Não quero
O que você me mostra,
Não quero
O que queres que eu veja!
Não quero, também,
O que queres que eu escute!
Quero um outro lado:
Quero
O suor selvagem
Com cheiro de gosto amanhecido
No teu cabelo desmantelado.
Eu quero
A paisagem de que poucos bebem,
A flor que ninguém conhece;
Quero muito mais,
Quero além:
Quero o sentimento adormecido
De que nem tua maquiagem esquece...
quarta-feira, 10 de março de 2010
Voar
Nós somos feitos da mesma matéria, surgimos do mesmo sopro e no entanto, já foi dito, somos como se fôsse-mos uns para os outros a outra margem do rio. Fillhos do mesmo milagre, nascemos juntos como gêmeos univitelinos, respiramos o mesmo ar, bebemos da mesma água e, embora nos vejamos e nos possamos tocar, continuamos tão distantes e separados como se algum obstáculo intransponível se dispusesse entre nós e pertencesse-mos a universos distantes e inatingíveis. Dizem alguns que isso é normal e inevitável. Alardeiam outros quenão é assim, que algumas boas intenções e belas palavras de ordem, outras vidas, orações e até mesmo dietas podem vencer tal muro. Mas não nos deixemos levar pelas aparências: Isso é real, tem nome e substância, se compõe do mesmo substrato do qual fomos feitos e nos tornamos pelas contingências da vida. Somos nós, egos isolados, lutando para sobreviver e chama-se SOLIDÃO ou, mais propriamene, "solitude". Contudo, tal estado esquizóide, embora seja corriqueiro, não é obrigatório. Você, amiga (o) já percebeu, por acaso, que quando paramos de pensar e discutir conosco mesmos, sentimos ternura essa e distância some? Não? Então tente, vale à pena!
Abraços
Nós somos feitos da mesma matéria, surgimos do mesmo sopro e no entanto, já foi dito, somos como se fôsse-mos uns para os outros a outra margem do rio. Fillhos do mesmo milagre, nascemos juntos como gêmeos univitelinos, respiramos o mesmo ar, bebemos da mesma água e, embora nos vejamos e nos possamos tocar, continuamos tão distantes e separados como se algum obstáculo intransponível se dispusesse entre nós e pertencesse-mos a universos distantes e inatingíveis. Dizem alguns que isso é normal e inevitável. Alardeiam outros quenão é assim, que algumas boas intenções e belas palavras de ordem, outras vidas, orações e até mesmo dietas podem vencer tal muro. Mas não nos deixemos levar pelas aparências: Isso é real, tem nome e substância, se compõe do mesmo substrato do qual fomos feitos e nos tornamos pelas contingências da vida. Somos nós, egos isolados, lutando para sobreviver e chama-se SOLIDÃO ou, mais propriamene, "solitude". Contudo, tal estado esquizóide, embora seja corriqueiro, não é obrigatório. Você, amiga (o) já percebeu, por acaso, que quando paramos de pensar e discutir conosco mesmos, sentimos ternura essa e distância some? Não? Então tente, vale à pena!
Abraços
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
E se
Te encontrasse à par
De espuma sobre ondas
Amanhecendo
Entre caracóis
Sobre a areia
Da praia
Me reconhecerias?
E no burburinho
Das marés humanas
Entre tantas outras vozes
Reconhecerias minha voz?
E, se,
Ainda,
Sem saber de nós,
Desse jeito e forma
Me darias tua mão
Mesmo que eu ignorasse
O idioma das sereias?
E se
Eu não soubesse
Dançar em tua cadência
Ainda assim aguardarias
Eu vencer o deserto
Dessa ausência?
Te encontrasse à par
De espuma sobre ondas
Amanhecendo
Entre caracóis
Sobre a areia
Da praia
Me reconhecerias?
E no burburinho
Das marés humanas
Entre tantas outras vozes
Reconhecerias minha voz?
E, se,
Ainda,
Sem saber de nós,
Desse jeito e forma
Me darias tua mão
Mesmo que eu ignorasse
O idioma das sereias?
E se
Eu não soubesse
Dançar em tua cadência
Ainda assim aguardarias
Eu vencer o deserto
Dessa ausência?
domingo, 14 de fevereiro de 2010
LIVRO DE CABECEIRA
É no meu livro de cabeceira
O diário em que reescrevo
E revivo todas as noites
Quimeras que à noite vivem
E, à luz do dia,
Se desconstroem em poeira.
Mas...
Eu nunca desisto!
Como desistir
Quando há tanto de mim
Que me aguarda???
São às vezes coisas pequenas
Que parecem importantes
Como certo gosto
Inesperado de primavera,
Ou grandiosas como
A beleza enorme de uma cor,
Ou sutis
Como certo sorriso
Que imagino
Mas sei lá se me espera...
Outras vezes
São coisas tolas e vazias
Como horários, dinheiro e contas,
Bobagens dessas cheias de pontas
Que derrotam uma vida e sua poesia.
E, se vencer, a insônia ameaça,
Conforme a incerteza avança,
Costumo temer ventos sem aviso
Mas, jamais,
Às noites de chuva
Que me embalam num sono de criança.
Então, em noites como essas,
Também sonho.
Apesar do meu empenho,
E dos cuidados com que planto,
Por força do destino,
Os sonhos, não os desenho
Não são bem o que quero
E lá me vou, tiatino,
A viajar colhendo
Quase sempre
Bem pouco do que espero.
Mas, se no meu livro de cabeceira,
Tudo é possível e verdade,
E cabem todos projetos
Ouvidorias e histórias
Também há uma regra:
Não existe a palavra saudade.
É no meu livro de cabeceira
O diário em que reescrevo
E revivo todas as noites
Quimeras que à noite vivem
E, à luz do dia,
Se desconstroem em poeira.
Mas...
Eu nunca desisto!
Como desistir
Quando há tanto de mim
Que me aguarda???
São às vezes coisas pequenas
Que parecem importantes
Como certo gosto
Inesperado de primavera,
Ou grandiosas como
A beleza enorme de uma cor,
Ou sutis
Como certo sorriso
Que imagino
Mas sei lá se me espera...
Outras vezes
São coisas tolas e vazias
Como horários, dinheiro e contas,
Bobagens dessas cheias de pontas
Que derrotam uma vida e sua poesia.
E, se vencer, a insônia ameaça,
Conforme a incerteza avança,
Costumo temer ventos sem aviso
Mas, jamais,
Às noites de chuva
Que me embalam num sono de criança.
Então, em noites como essas,
Também sonho.
Apesar do meu empenho,
E dos cuidados com que planto,
Por força do destino,
Os sonhos, não os desenho
Não são bem o que quero
E lá me vou, tiatino,
A viajar colhendo
Quase sempre
Bem pouco do que espero.
Mas, se no meu livro de cabeceira,
Tudo é possível e verdade,
E cabem todos projetos
Ouvidorias e histórias
Também há uma regra:
Não existe a palavra saudade.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
(NECROLÓGIO)
Morreu Janeiro de 2010
Trinta e um de Janeiro,
Trinta e oito graus,
Sufoco geral,
Até Janeiro morreria
Mas não derretem as Torres,
Prainha,
Itapeva,
Riacho Doce,
Pedras e vertentes.
Vinte e quatro verões em um só dia,
Gente salgada que perscruta as gentes;
O sol arde sobre a pele nua
E a paisagem desmaia
Enquanto a calçada sua
Esperando inútil pela praia ...
Morreu Janeiro de 2010
Trinta e um de Janeiro,
Trinta e oito graus,
Sufoco geral,
Até Janeiro morreria
Mas não derretem as Torres,
Prainha,
Itapeva,
Riacho Doce,
Pedras e vertentes.
Vinte e quatro verões em um só dia,
Gente salgada que perscruta as gentes;
O sol arde sobre a pele nua
E a paisagem desmaia
Enquanto a calçada sua
Esperando inútil pela praia ...
sábado, 23 de janeiro de 2010
QUEM SABE
Como vencer
Esse oceano de distancias
Sem saber que teus olhos me sabiam?
E como entender tuas ânsias
E presságios
Se não me mostrasses
O desvalor
Que é possível na distância?
Contudo, do nada,
É ela mesma que transponho
Para,
Nessa noite mágica,
Pensar que posso,
Contigo,
Sonhar os teus sonhos
E, quem sabe,
Algum dia,
Empinar essa pipa remendada
Com algum guaipeca risonho...
Como vencer
Esse oceano de distancias
Sem saber que teus olhos me sabiam?
E como entender tuas ânsias
E presságios
Se não me mostrasses
O desvalor
Que é possível na distância?
Contudo, do nada,
É ela mesma que transponho
Para,
Nessa noite mágica,
Pensar que posso,
Contigo,
Sonhar os teus sonhos
E, quem sabe,
Algum dia,
Empinar essa pipa remendada
Com algum guaipeca risonho...
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
QUERERES
Não quero
A face que você me mostra,
Não quero
O que queres que eu veja.
Não quero
O que queres que eu escute
Quero um outro lado:
Eu quero
O suor selvagem
Com cheiro de gosto amanhecido
No teu cabelo desmantelado.
Eu quero
A paisagem que poucos bebem.
Da flor que ninguém conhece
De teu sentimento adormecido
Que a maquiagem não esquece.
Não quero
A face que você me mostra,
Não quero
O que queres que eu veja.
Não quero
O que queres que eu escute
Quero um outro lado:
Eu quero
O suor selvagem
Com cheiro de gosto amanhecido
No teu cabelo desmantelado.
Eu quero
A paisagem que poucos bebem.
Da flor que ninguém conhece
De teu sentimento adormecido
Que a maquiagem não esquece.
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