LIVRO DE CABECEIRA
É no meu livro de cabeceira
O diário em que reescrevo
E revivo todas as noites
Quimeras que à noite vivem
E, à luz do dia,
Se desconstroem em poeira.
Mas...
Eu nunca desisto!
Como desistir
Quando há tanto de mim
Que me aguarda???
São às vezes coisas pequenas
Que parecem importantes
Como certo gosto
Inesperado de primavera,
Ou grandiosas como
A beleza enorme de uma cor,
Ou sutis
Como certo sorriso
Que imagino
Mas sei lá se me espera...
Outras vezes
São coisas tolas e vazias
Como horários, dinheiro e contas,
Bobagens dessas cheias de pontas
Que derrotam uma vida e sua poesia.
E, se vencer, a insônia ameaça,
Conforme a incerteza avança,
Costumo temer ventos sem aviso
Mas, jamais,
Às noites de chuva
Que me embalam num sono de criança.
Então, em noites como essas,
Também sonho.
Apesar do meu empenho,
E dos cuidados com que planto,
Por força do destino,
Os sonhos, não os desenho
Não são bem o que quero
E lá me vou, tiatino,
A viajar colhendo
Quase sempre
Bem pouco do que espero.
Mas, se no meu livro de cabeceira,
Tudo é possível e verdade,
E cabem todos projetos
Ouvidorias e histórias
Também há uma regra:
Não existe a palavra saudade.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
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