terça-feira, 27 de abril de 2010

Se Deus quiser,
Para o ano,
Terei tudo do pouco
Que ainda me falta:
Terei um criado mudo
E um lençol novo,
Sem remendos,
Todinho de pano.

Rio Grande 1972

(Resgatado pela memória de um amigo)

domingo, 25 de abril de 2010

EM VÃO

O abraço apertado
No coração adormecido,
Mas, vivo,
Você já sentiu?

Um sorriso que te conduza
A onde nunca há
Nenhum motivo
Nas emoções,
Você já viveu?


O olhar,
Um leve roçar de mãos
Que foge ao corpo
Mas arrepia os corações
Sem se saber dos por quês...

Então, você,
Pressentindo o perigo,
Reage,
Luta,
Foge,
E nega,
Mas,
É em vão!
Ao renegares
O que te justifica o ser
Sentir-lhe-ás à falta
Até quando não quiseres ver...

23/04/2010

domingo, 18 de abril de 2010

“Eu quero a essência, minha alma tem pressa”
(Mário de Andrade)

A hora é agora,
Os moinhos que moem o tempo
Não sabem brincar de roda,
Jogar com o vento,
Ou esperar em algum momento
A hora
De fazer a poda.
Quem quiser vir comigo
Vai ter que dançar
A canção do perigo
De não ter
Como,
Ou onde
Nem, tampouco, o que esperar.

!8/04/2010

terça-feira, 13 de abril de 2010

FATALIDADE

Espere,
Não se vá ainda...
Não se precipite,
Espere por mim;
A vida é uma roda sem fim.
Hoje ou amanhã,
Tudo pode mudar...
Mas qual...
São inúteis meus apelos.
Destino é destino
E não é por se desejar
Que a morte
Dos sonhos seja fatal,
Nem que,
Por força de muito desejar,
Deixe o humano de ser mortal
Ou possa ele,
Ainda que a contragosto,
Infame ou poderoso,
Fraco ou forte,
Sobreviver ao mundo
E à sua própria sorte.
12/04/2010

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Essa Noite

Nessa noite incompleta
Solitária e vazia
Ainda sinto teus poucos beijos,
Discretos, roubados
Sem querer e ao acaso,
Sabe-se lá por que loucuras e manias...
Mas, em meu ser,
Que recordação!...
Cheguei a sonhar que me via
Em teu colo
Embalando meus sonhos,
E, que,
Apertando meu rosto em teu peito,
Esqueceria a insônia
Adormecendo em paz
Ao suave compasso
Do teu coração.

08/04/2010
De Volta à Estrada

A hora é agora,
Todos os anjos te esperam
E clamam:
Já se adivinha aurora
Preciso se faz despertar
E partir!
São escuros os caminhos
E
Sem avisos.
Não há certezas,
Mas é preciso
Andar
E se ir além,
Rumo ao amanhecer!
DESTINO


Você acredita em destino?
Pois eu não,
Mas
Posso ler meu futuro
Nas palmas de tuas mãos
E no menor de teus traços,
Quando sorris
Ou não sorris,
Em um meio gesto,
Ou mesmo
Quase uma palavra
Que desistiu
E se tornou suspiro.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

NUNCA É TARDE


Nunca é demasiado tarde...
Qualquer coisa cabe
Quando se sabe
Que tudo pode ser verdade.

O céu azul, uma simples flor,
Raios de luz, final de tarde,
Basta apenas
Algo que nos aguarde...