domingo, 22 de novembro de 2009

A Poesia e as Mulheres

Por vezes creio que Poesia me ama,
Pois que me rodeia a cada instante,
Afaga-me, deleita e se proclama
Como se lhe fosse o eterno amante.

Contudo, de repente, me abandona,
Torna-se gélida e se faz distante,
Deixa-se levar ao vento por carona
E sei lá, de ronda, aonde vai andante.

Vai a andar sem pressa, devagarzinho,
Como se não se fosse jamais,
Para sumir à toa pelo caminho.

Contudo coisas dessas são normais;
Pesar mesmo não é desfazer o ninho:
É ela nem ao menos olhar para trás.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

SOLIDÃO

A Solidão
Pode ser só uma palavra errada,
A valiosa promessa cancelada,
Porto sem chegada
De quem está muito longe
Ou glória em vida para um monge,
Pode ser patética e doente
Como uma boca sem dentes;
Ser mágica, outrossim,
Como uma única flor serena
A reinar sobre seu jardim.

Mas, sem dúvidas,
No pior de todos os cenários,
É sempre a mais dolorida
Aquela que a gente mesmo sente,
E, de todas,
A mais miserável,
É não saber se amar
E ter que se gostar
Pelos olhos de outros
Que nada tem a nos dar.
Sei lá...
Nem sei mais o que sei.
Tantas curvas, tantos horizontes...
Paisagens que se repetem,
Bocas, mãos e curvas e contornos,
Olhos que se sucedem,
Vírgulas e verbos varando a vida
Num vai e vem
Sem ida nem vinda,
E, dentro de mim,
E essa estrada sem fim
Que não parece ter retorno...
Sei lá... Sei lá...

domingo, 8 de novembro de 2009

LUNÁTICO

Cavalgo estrelas sobre a primavera,
Esqueço o sol sobre a estrada nua
E, enquanto perambulo sorumbático,

Caminho como em vertigem sobre a rua
Crendo que sou um verdadeiro lunático:
Só sei ser feliz quando te vejo Lua.

sábado, 7 de novembro de 2009

RECEITA

Eu sei, eu sei...
Cuidados são precisos:
-Tenha juízo!
Não se equivoque,
Não fale alto, não boceje,
Não ria, não abrace,
Não ame, não beije.
Segure mas não prenda,
Se entregue, mas não se renda...

Eu sei, eu sei...
O nome disso é “sucesso”:
Mata-se a ternura,
Alimenta-se a vaidade
E resta-nos tratar a loucura.